Mais Neruda, mais empatia

 Não estás só; há um poeta que
pensa em teu sofrimento

Pablo Neruda

O poeta Pablo Neruda, quando concluiu que não podia viver senão em sua própria terra, encerrou a carreira diplomática e regressou para o Chile. Encontrou o país como o deixara: “Pobreza terrível das regiões mineiras, e a gente elegante ocupando seu Country Club”.  Entendeu que precisava escolher. Foi eleito senador com votos de milhares de chilenos da região de mineração de cobre e salitre. Sua poesia chegava naquela gente sofrida e solitária, lhe permitia aproximar e comunicar com eles. A escolha de Pablo gerou perseguições e o obrigou a se esconder. Era acolhido nas paupérrimas casas dos operários do deserto. Nas muitas reuniões que fazia com eles, lhe pediam para ler seus poemas. Para Pablo, ser poeta do povo era seu grande prêmio. Em seus versos, demostrava empatia pelo seu povo.

Hoje, pelo mundo afora, são milhares, milhões de pessoas em situações precárias, famélicas, vitimadas por guerras e invasões, pela exploração da força de trabalho, pela ambição desmedida de alguns que geram desigualdades colossais. Se queremos uma cidade, um país, um mundo melhor, precisamos sustentar nosso desejo de ajudar crianças e jovens a desenvolver todas as dimensões de seu ser.  Precisamos, dia após dia, criar oportunidades para educá-los vivenciando valores. E a empatia é um deles.

Como educá-los para que não sejam indiferentes às dificuldades e ao sofrimento de outros povos, de seus compatriotas, de seus colegas? Como desenvolver a sensibilidade para a necessidade alheia? A tarefa é de todos – escola, família, instituições, empresas, mídia, coletivos.

Diante das catástrofes naturais ou provocadas por atos desumanos, podemos fechar os olhos, os ouvidos, alienarmos, distrairmo-nos nas redes sociais.  A mídia, por vezes, explora a dura realidade com sensacionalismo, apenas para obter lágrimas e audiência. Substitui pautas com tanta velocidade que o tempo para a reflexão é solapado.

É fato que o sentimento de impotência nos acomete com frequência, que há pessoas com maior possibilidade de atuação, mas mesmo os pequenos gestos podem dar significativas contribuições. E sempre há uma poesia, uma imagem, um livro, um filme, uma pessoa, uma palavra para nos inspirar, para movimentar os sentimentos, não deixar congelar a indiferença. 

No ato educativo é preciso equilibrar virtude com sabedoria para que os indivíduos possam conduzir-se e conduzir a coletividade promovendo o bem-estar de todos. E nessa caminhada, empatia é valor que não pode faltar. Ela move a solidariedade, a consideração, a cooperação, o cuidado com o outro. Move um conjunto de valores para frear a competitividade excessiva que dissolve a vida social.

Eliane Dantas (Assessora de Comunicação)

1 comentário em “Mais Neruda, mais empatia”

  1. WAGNER DE AGUIAR DUARTE

    Texto maravilhoso. E a exemplificação com Neruda não podia ser melhor escolhida. Parabéns. As palavras ajudam a trazer ânimo e esperança para o futuro.

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