A importância dos jogos

Amarelinha, Queimada, Cama de Gato, Cabo-de-guerra, Bolinhas de Gude, Mãe da Rua... Ainda hoje nos lembramos das brincadeiras que fizeram parte de nossa infância, que nos ensinaram a arriscar, dividir, cooperar, ganhar ou perder. Que impulsionaram nossa criatividade, nos fizeram compreender o que é objetivo e estratégia, que nos ensinaram a respeitar e construir regras, que desenvolveram nossas habilidades, gostos, potencialidades. São muitos jogos e brincadeiras que vamos ensinando às crianças, seja pelo seu aspecto lúdico, seja pelos inúmeros conhecimentos e aprendizagens que eles propiciam.

O livro “Os 100 melhores jogos do Mundo” (1978) mostra que muitos jogos são lembranças de importantes rituais mágicos e religiosos. Uns eram dramatizações de lutas entre as forças da natureza, como o Cabo-de-guerra; outros, como o Xadrez e o Go, são reconstituições de batalhas que permitiam a aprendizagem de princípios táticos e estratégicos usados na guerra.

A brincadeira Amarelinha está ligada aos antigos mitos sobre os labirintos e as jornadas que os espíritos faziam da Terra ao Céu, após a morte. Em primeiro momento, a Terra é o espaço delimitado de onde se parte; o Céu, o lugar aonde se quer chegar e onde se repousa, pois nessa casa se pode colocar os dois pés no chão. Inferno é onde não se deseja cair.

Entre os esquimós, joga-se Cama-de-gato, e o jogador costuma narrar uma história enquanto vai formando figuras no cordão que maneja, habilmente, com as mãos. Assim, suas lendas e tradições são transmitidas às futuras gerações.

Se o jogo para a criança em primeiro lugar é brincadeira, é também atividade séria. Quando brinca, a criança tem a oportunidade de descobrir-se, crescer mentalmente e afirmar seu próprio eu. De considerar o ponto de vista do outro e sair do seu egocentrismo. De participar de um sistema de trocas materiais ou simbólicas como dar, receber e retribuir. De interagir e desenvolver técnicas de comunicação verbal e gestual com os outros. De traçar objetivos, resolver problemas, encontrar soluções, enfim, de realizar ações que no mundo real não lhe são permitidas e que estimulam sua socialização.

Constance Kamii, que foi aluna de Jean Piaget, afirma que as crianças se desenvolvem não apenas social, moral e cognitivamente, mas também política e emocionalmente através dos jogos em grupo. Isto porque um jogo não pode começar se os jogadores não concordam com as regras e, uma vez começado, só podem continuar se houver concordância sobre a interpretação dessas regras. Os jogos constituem uma situação natural na qual as crianças são estimuladas a cooperar (operar junto) para estabelecer regras e cumpri-las. Portanto, ao se ocupar com regras, elas vivenciam oportunidades de se desenvolverem social e politicamente. A prática em lidar com regras proporciona oportunidades para as crianças se desenvolverem também moralmente, pois entram no jogo questões que implicam o certo e o errado. As convicções morais não são construídas pelas crianças ouvindo sermões.

Com tantas aprendizagens possíveis, a escola se apropria de jogos para realizar objetivos pedagógicos. Faz uso de brincadeiras para trabalhar conteúdos diversos, tais como Matemática, História, Geografia, Língua Portuguesa. Alia conhecimento com diversão.

Então, vamos jogar? Aqui vai uma sugestão para o 1º Ciclo:

Batalha Dupla de Adição – Adição de dois números de 1 a 10. Para esse jogo cada grupo precisa de um baralho com as cartas de Ás ao 10.

Joguem assim:
 Seis cartas são distribuídas para cada jogador e o restante fica no centro da mesa;
 Todos os jogadores ao mesmo tempo abaixam 2 cartas e cada um diz a sua soma;
 Quem conseguir a maior soma e disser certo, leva para si todas as cartas dessa jogada e vai organizando o seu monte;
 Não é permitido misturar essas cartas com as da mão ou da mesa;
 A cada jogada, todos os jogadores pegam mais duas cartas na mesa;
 O jogo termina, quando terminarem as cartas da mesa e da mão;
 Ganha quem ao final tiver mais cartas em seu monte.

1- Registre os resultados do seu grupo nesta tabela:

2- Analisando o jogo do seu grupo, responda:
a) Quem ganhou o jogo?_________________ com quantas cartas?_______
b) Quem ficou em último lugar?___________________ Com quantas cartas?__________
c) Houve empate? __________de quem? ______________ com quantas cartas? ________

3- Veja algumas cartas de alguns jogadores e encontre o resultado.
a) 9 e 8 = ___________
b) 10 e 9 = __________
c) 8 e 7 = ___________
d) 7 e 9 = __________
e) 10 e 8 = __________
f) 8 e 6 = ___________

4- Responda:
a) Qual é o maior resultado possível neste jogo? _______ com quais cartas? ___________ quantos jogadores podem conseguir este resultado numa rodada? __________ por quê? _____________________________________
b) Qual é o menor resultado possível? __________ com quais cartas? __________________
c) Quais são as possibilidades de alguém dizer 16, abaixando duas cartas? Anote sua resposta.
d) Quais são as possibilidades de alguém dizer 18, abaixando duas cartas? Anote sua resposta.

Gracinha Barbosa

2 comentários em “A importância dos jogos”

  1. João Carlos Rodrigues Alves

    Eu sou bisavo do Alexandre Lamounier de Resende, ele mora comigo e a bisavo, que e quem o acompanha nas lides da escola, eu sou mais o amigo. Guardo com muito carinho a recordação de todos esses jogos lembrados no artigo, no entanto, em razão de um fato ocorrido comigo e o Alexandre, e que me faz fazer uma ponderação: Estava eu junto a ele no computador, assistindo um dos inumeros jogos praticados por ele, quando percebi que ele usava o teclado como se fosse um datilografo completo, perguntei como ele tinha conseguido aquela destreza, ele me respondeu que o teclado tinha duas marquinhas sob duas das letras e a partir dai ele tinha conseguido o resto. Penso que assim como nos jogos da minha infancia podem se adquirir aprendizados, deveria tambem serem estudados os jogos modernos quanto a aprendizados.

  2. Mais um ótimo artigo, esclarecedor e estimulante. Gostamos muito de jogos entre nós 4 aqui em casa. É um momento rico em família. Os meninos têm se interessado muito por jogos com cartas e se orgulham de acertarem suas contas!
    Também gostei do comentário do Sr. José Carlos. Não podemos ignorar que os jogos eletrônicos e virtuais acrescentam possibilidades de aprendizado. Abraços, Malu Souza.

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