Depoimentos

“ Olá,

Meu nome é Ana. Estudei na Escola da Serra ano passado. Saí este ano, pra fazer intercâmbio. Desde então, sinto uma enorme vontade de escrever pra vocês sobre tudo o que vivi – e ainda vivo – como aluna e ex-aluna de vocês.
Fui pra Serra depois de já ter passado por outras cinco escolas. Todas com cadeiras enfileiradas e provas valendo 10. Com sinal, uniforme e professor "tirando ponto". Fui pra Serra com alguma esperança de que o mundo deveria ser melhor do que minhas recuperações em matemática no final do ano, mas sem saber ao certo o que ia encontrar lá.

Quando entrei na Serra, me deparei com o vento frio da manhã, pedrinhas no chão e muros coloridos (cor, muita cor!). Me deparei com grandes salões e aulas de empreendedorismo. Com mesas de quatro pessoas e assembleias. Com desenhos lindos espalhados pela escola inteira, aulas de Yoga e Tai Chi.

A Escola da Serra me falou: seja. O que quiser, como quiser e quando quiser. No começo, assustei. Quis voltar pra trás dos nomes e das ideias já prontas. Um susto triste de existir, mas inevitável depois de 16 anos em escolas tradicionais. Aos poucos, fui. E ainda estou caminhando. Depois que o susto passa, é aos poucos que a gente vai se enxergando, bem devagarinho. Podendo ser. Só ser, livre de qualquer amarra que alguém tente nos impor. E é nesse processo de autoconhecimento que a gente vai aprendendo mais sobre o mundo, sobre as relações (as mais diversas que existem). A gente vai começando a ver as coisas de outro ângulo. Não aquele de baixo para cima, olhando pra frente e só pra uma pessoa, e sim olhando pro lado e para todos/todas nós.

Na Escola da Serra eu aprendi o que é estudar. E só fui perceber isso quando sai de lá e pensei em tudo que havia aprendido nas outras escolas. O que aprendi na Serra em um ano, escola nenhuma me ensinou em 16. Aprendi sobre o mundo. Sobre o que o move, quem o move e como fazem isso. E como querem que façamos isso. E como estamos fazendo.

Na Serra, me perguntaram. Pela primeira vez em 16 anos, uma escola me questionou. E, pasmem, não me deram uma resposta - me permitiram criar a minha. Deixaram que meu pensamento seguisse para onde quisesse, das minhas próprias experiências até os livros, artigos, documentários...

Na Serra, acreditaram em mim. Sabiam que eu não sou feita de números – eu sou bem mais que isso. E me encheram de oportunidades, para que eu me descobrisse da melhor forma: experimentando.

E foi assim que comecei a entender a Escola da Serra. Comecei a sentir as pedrinhas no chão e o sol da manhã no rosto. A sentir o barulho do violão e o cheiro da tinta. Os abraços e o carinho. A sentir as cores das paredes dentro de mim, e a falta delas do lado de fora.

Agradeço imensamente a toda a Escola. Por tudo que me ensinaram. Por tudo que me permitiram conhecer e todas as experiências que me proporcionaram. Às vezes penso como queria ter estudado com vocês durante muito tempo. Mas não foi assim, e sou muito feliz e grata por esse ano tão bonito e que foi o início de um aprendizado grande, de uma esperança que cresce cada vez mais em mim, quando vejo vocês crescendo mais e mais. Aí vejo que tem gente (e muita!) lutando por uma educação mais democrática e libertária.

Obrigada por acreditarem em mim. Eu acredito cada vez mais em vocês.

Com muito carinho,

— Ana Luísa Isnardis”


“ Dos privilégios que tive na vida, cito a Escola da Serra como um dos mais valiosos. Quando a visito, hoje em dia, preciso respirar três vezes antes de entrar. O ar precisa ir ao fundo do meu corpo e arredar a poeira que eventualmente tenha se acomodado lá. O pulmão precisa passar vazio pelo portão, para se inflar, em seguida, da brisa macia da minha infância. Só assim posso segurar as lágrimas nos olhos e salvar algumas que talvez já tenham saltado, para se matar do alto do último andar do meu corpo, de saudade. A escola foi e é, para mim, um lugar de afeto, onde se estabelecem conexões e relacionamentos que levam ao aprendizado. Foi onde rompi com a proteção da família e daí para o mundo. Aquele espaço, Rua do Ouro 1900, que foi lugar de resistência dominicana à ditadura, segue sendo um lugar de resistência. Resistência à dureza do mundo, que morde forte e não assopra. Foi um assolamento desiludido o momento de me deparar com o mundo. Deus, eu quis que o planeta Terra inteirinho fosse como a Escola da Serra.

Por esses dias, tornando a essa antiga casa depois de tanto tempo, reparei no quanto o espaço havia mudado. Seria ele ou seria eu? Minha velha sala de aula não estava mais lá. As paredes haviam se quebrado para formar imensos salões. O chão, decerto, continuava o mesmo que me pertenceu, mas as delimitações haviam desaparecido. As paredes físicas e simbólicas do conhecimento haviam se rompido. Veio como deve vir: livre e sem limites.

Espero viver para ver o dia em que a universidade será reformulada, abolindo suas tão importantes ABNT's e normas técnicas, para se tornar (talvez, quem sabe?) como a Escola da Serra: uma grande provocadora de potencialidades. Não haverá que se ter mestrado e doutorado para ser professor. Haverá que se ter vivido. A estrutura arcaica da sala de aula dará lugar à imensa profusão de culturas que se relacionarão todo o tempo, no chão, nos corredores, em cima das mesas, nas britas do pátio e, claro, nas ruas. Lugar de escola não é só no quadro negro, sob a proteção do power point. É no meio da gente, no cerne. Os alunos falarão mais que o professor e ética será o verdadeiro vigor. As pessoas não serão tratadas por números, mas por nome, sobrenome, pronome, apelidos, gostos e inclinações. Silêncio quase não existirá, a não ser nos momentos em que precisamos ouvir o vento. Também não haverá “sim senhor“, só “obrigado“ e “por favor“. As paredes serão cobertas de cores e exprimirão tudo que ali é produzido. Todo espaço será pequeno, de modo que até as tão subestimadas paredes do banheiro terão algo a dizer. “Contenção“ será uma das palavras menos pesquisadas no dicionário, mas “diferença“ será encorajada e admirada. Os alunos saberão que suas descobertas já haviam sido descobertas antes, mas que nem por isso são menos importantes. O professor terá licença poética sobre o livro-texto e derramará todo o seu amor na avaliação, sendo que o questionamento será um passo cotidiano para uma das mais belas jornadas: a opinião. O moço e a moça que ali estudam perceberão que são senhores do próprio destino e que cabe a eles decidir os caminhos e descaminhos que pretendem trilhar, destrilhar e retrilhar, e que são os próprios pés que os levam aonde querem chegar. Um dia as instituições educacionais entenderão, não apenas na teoria, que o processo de aprendizado se dá no aluno e que ele é protagonista de seu ensino. Mais que álgebra ou geografia, esse aluno aprenderá que tudo isso são ferramentas para mudar o mundo. Um dia...

À Escola da Serra e à minha mãe Marília, meu profundo agradecimento por anteciparem tudo isso.
Seu eterno aluno, ”

— Felipe de Oliveira.

“ Quando saí da faculdade, acreditava num modelo de escola que, logo descobri, não existia, e deixei a área educacional. Quando muitos anos depois li a LDB93/96, acreditei em vão que esta lei fizera a escola do meu imaginário acontecer. Desisti. Mas só quando resolvi trazer meu filho para a Escola da Serra finalmente acreditei: a utopia existe e é aqui! ”

— Marcela Heloi - mãe de aluno

“É isso que me encanta muito nesta escola e em todos os educadores que passaram por nós: sempre concordamos, aprovamos e adoramos as condutas e posturas de todos da Escola da Serra. Considero-os parceiros que me ajudaram a resolver problemas diversos na difícil estrada da educação de uma criança. É maravilhoso vê-la crescer em um ambiente tão bonito, tão saudável...”

— Jaqueline Asth - mãe de aluna

“ Meus pais escolheram a Escola da Serra porque tem uma metodologia interessante, viram nela um lugar onde eu poderia exercer minha criatividade, vivenciar minha cultura, me desenvolver melhor como indivíduo. Sou muito grato por meus pais terem me colocado aqui. Gosto muito da autonomia e liberdade que é dada para nós alunos, não só em relação aos estudos, mas também em relação aos colegas e aos professores que nos permitem exercer nossa criatividade. Aprendemos o que é necessário mas de uma forma interessante, de uma forma que envolve a gente, que a gente vê que é necessário, e não só uma forma que é apresentada pelos professores. ”

— André Lloyd – aluno do Ensino Médio

“ Vim para a Escola da Serra porque meus pais acreditavam que ela podia ser um lugar menos “durão“, com uma forma de ensinar mais construtiva e não na base da “decoreba“. O grande diferencial dela é a liberdade de expressão. Ela contribuiu com a minha criticidade e a capacidade de raciocinar sem uso de fórmulas; me influenciou no sentido de me fazer pensar, de conseguir ver as coisas não prontas. ”

— Lourenço Soalheiro - aluno Ensino Médio

“ A Escola da Serra marca uma posição diferente. Não é uma escola alternativa, é uma alternativa , entre outras, mas que tem uma diferença que é uma escola para cada criança. Quer dizer, é uma escola que valoriza a singularidade, tem projetos coletivos importantíssimos. A abertura da Semana Olímpica foi uma mostra maravilhosa da harmonia entre diferentes grupos e faixas etárias. A gente vê que as crianças se envolvem, que elas têm um papel de protagonista na própria educação. Na escola, a palavra delas é escutada. ”

— Tânia Ferreira - mãe de aluna

“ Vocês não imaginam como marcaram a vida do Pedro e do Tonton... sempre que passamos na frente da Escola da Serra, perguntam se vamos parar? Falam da Roberta, Raquel, Mariana, Sr. Zacarias, Nelson, enfim... Saudades é que não faltam... Não imaginam como isso me tranquiliza... já é tão difícil fazermos nossas escolhas... fazer as escolhas dos nossos filhos pequenos então... a Escola da Serra com certeza foi acertivo! E nos consideraremos da família "escoladaserrense" sempre! Grande abraço ”

— Ana, Léo, Pedro e Antonio

“ Respeito muito a Escolam da Serra porque as crianças sentem que a escola é delas, onde estão construindo o próprio saber . É um lugar onde sinto que todos que estudam são felizes. Isso é o que vale. ”

— Maria Regina Alvares Magalhães - mãe aluno

“ Aqui tudo é diferente. O diretor e os professores têm uma relação aberta com os alunos, podemos dizer o que pensamos. Na Bélgica, só vemos o diretor quando fazemos alguma coisa errada. Nunca vi escola que tem aula de Yoga. As aulas optativas são ótimas, nos dão a oportunidade de conhecer muitas coisas. Uma escola muito legal! ”

— Lorri Sanfilippo - Intercambista (Bélgica)

“ A Escola da Serra valoriza a formação da pessoa para o aluno adquirir independência, autonomia, aprender de verdade e não decorar. Ela prepara para a vida e não apenas para a vida acadêmica; dá liberdade para o aluno opinar, interferir nos projetos, nas regras, falar o que pensa. ”

— Ana Luiza Pereira da Silva- aluna

“ Desde eu cheguei aqui gostei muito. As pessoas me receberam aqui muito bem. Quando eu comecei as aulas, descobri que essa escola não é como as outras. Esta escola é muito bacana; você não aprende só as matérias, você vai levar muitas coisas para seu futuro. Os professores sempre perguntam sua opinião, escutam você, nem na minha escola na Hungria eu vi isso. A Escola da Serra ensina você como viver. ”

— Luca Kenéz – intercambista (Hungaria)

“ Quando digo que as meninas agora estão estudando na Escola da Serra, só ouço elogios.Sempre tem alguém que tem um sobrinho, um primo, um amigo que estuda ou estudou na Escola da Serra, e comenta da satisfação do aluno ou da família com a escola. O comentário é de que formam gente! ”

— Isabel Cristina de Assis Carvalho

“ Obrigado, Escola da Serra, primeira escola de meus netos. ”

— Olavo Romano - Escritor

“ Uma escola especial.
Uma escola diferente.
Uma escola para sempre.
Escola da Serra! ”

— Weber Lopes - Músico